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Análise UFC 198


Fala galera do Espaço BJJ. Fim de semana passado tivemos o histórico UFC 198 com 45000 pessoas no estádio Arena da Baixada em Curitiba. O evento teve de tudo, novo campeão dos pesos pesados, redenção de lutadores em baixa, afirmação de novos talentos, aula de jiu jitsu... Enfim, vamos a algumas análises e observações.

Fabrício Werdum x Stipe Miocic

O Werdum campeão do UFC é um lutador completo, com boa trocação, boa movimentação, experiente e estratégico. Por isso mesmo, fica difícil entender a razão pela qual ele partiu totalmente aberto e desprotegido contra um pugilista do nível do Miocic. Fica ainda mais difícil de entender uma vez que era ainda o começo do combate e a luta estava totalmente equilibrada.
Me parece, e quero ressaltar que é apenas especulação, que a atmosfera do estádio e a grandeza do evento tiraram a concentração do brasileiro. Na ânsia de dar show e após um erro de avaliação (ele imaginou que o americano havia balançado com um soco), ele foi duramente castigado por um ex-campeão do Golden Gloves (maior evento de boxe amador dos EUA).
Ainda no octógono Werdum pediu por uma revanche imediata, porém por não ser um campeão dominante e ter perdido de forma tão incontestável, o gaúcho vai ter que voltar para a fila. Não vejo outra luta a ser feita agora que não seja Cigano x Werdum.

Ronaldo Jacaré x Vitor Belfort

Como eu havia previsto no texto pré-evento, a vida do Belfort seria muito complicada nesse combate. Era bem evidente que conforme o tempo fosse passando, se o fenômeno não nocauteasse, acabaria sucumbindo diante do refinado jogo de chão do Jacaré. O cenário não evidente seria pensar em um Vitor incapaz de tentar um soco e pasmem, puxar o ex-campeão mundial de jiu jitsu pra guarda.
Enfim, Jacaré foi impecável e fez o que se esperava dele, botou pressão, pressionou Belfort contra a grade, levou a luta pro solo e pôs numeros finais à peleja. Apesar disso (e de ter exigido ainda no octógono), ele ainda deve precisar de mais uma luta antes de ter a chance pelo cinturão. Apostaria em Chris Weidman...
Pensando em Belfort, na minha opinião ficou claro que ele não tem mais condições de enfrentar o top 5 da categoria. Por toda a sua história, não acredito que o fenômeno aceite pegar lutas com adversários de menor expressão. Diante disso, só vejo uma revanche contra Anderson Silva no futuro do brasileiro.

Demian Maia x Matt Brown

Assistir as lutas do Demian é um verdadeiro seminário de jiu jitsu. Incrível a excelência do brasileiro na arte suave. Matt Brown foi mais uma vítima que sabia exatamente o que fazer contra o previsível jogo de Maia, mas simplesmente não foi capaz de lidar com a incrível técnica do ex campeão do ADCC.
Foram três rounds mochilado nas costas do americano até conseguir encaixar o mata-leão e levar o furioso público brasileiro ao delírio. Parece que no final das contas a estratégia de apontar o dedo médio para a torcida na pesagem só fez tumultuar o fim de semana do americano.

Apesar de seis vitórias em sequência, o brasileiro ainda precisará de uma luta contra um top 5 para se credenciar à luta pelo cinturão. Melhor luta para ele seria o Carlos Condit, mas provavelmente ele deve pegar o Johny Hendricks.

Análise UFN 87 e previsão UFC 198

Fala galera do Espaço BJJ! Semana intensa no mundo do MMA. Depois do UFC Fight Night na Holanda, pegaremos um vôo rumo ao Brasil para o sensacional UFC 198. Aproveito então para fazer uma breve análise do evento na Europa e alguns palpites e pitacos do evento em Curitiba. Espero que vocês gostem.

Análise UFN 87

Overeem x Arlovski

Quando desembarcou no UFC, Alistair Overeem já era dado como favas contadas para disputar o cinturão. Dono de um muay thai de ponta para os padrões do MMA, finalizador e com um bom wrestling, o holandês parecia o lutador certo, na hora certa. Acontece que seu estilo agressivo somado ao seu queixo de vidro o fez perder três lutas por nocaute, e ele passou a ser considerado fora da corrida pelo título dos pesados.
A partir desse momento, o “The rheem” mudou de equipe e sob a batuta da dupla Jackson/Winkeljohn, ele se transformou em outro lutador. O holandes hoje é muito mais comedido, estratégico, frio e mudou até mesmo aspectos técnicos do seu jogo em pé. Foi esse Overeem que protege o queixo e espera a hora certa para dar o bote que vimos em ação no último sábado.
Após mais uma vitória convincente, me parece que o próximo passo para ele é mesmo a disputa de cinturão. Apesar de ainda não acreditar, não duvido nada que essa versão 2.0 do Overeem venha a ser o futuro campeão dos pesados.

Pezão x Struve

A última vitória por nocaute do Struve havia sido em 2012, some a isso ao fato do Pezão ter sofrido cinco nocautes no primeiro round nas últimas sete lutas e você chega a conclusão de que algo está errado com o brasileiro.
Pezão é um lutador profissional e se ele acha que não é a hora de parar, quem sou eu para dizer o contrário. Acontece que tantos nocautes em sequência podem cobrar um sério preço para sua saúde no futuro. Talvez, se ele quiser continuar lutando, a saída seja ir para outros eventos onde ele pelo menos possa voltar a usar o TRT (lembremos que o caso dele é um problema congênito de saúde).


Palpites UFC 198

No próximo sábado teremos um evento histórico no Paraná. Um card estrelar e com lutas excepcionais será realizado pela primeira vez em um estádio de futebol no Brasil. Aproveito a ocasião especial para fazer um breve análise e palpites de três lutas.

Werdum x Miocic

Muita gente acha que será uma vitória tranquila do brasileiro. Na minha opinião, o americano vai ser um desafio e tanto para o gaúcho. Na luta em pé, Miocic tem um boxe melhor e mais poder de nocaute, enquanto Werdum se movimenta mais, chuta mais e tem um ótimo clinch thai. No chão é simplesmente covardia, como já concluí em outro artigo, o “Vai cavalo” é na minha opinião o melhor lutador de jiu jitsu da história do MMA. Se a luta for pro chão, pra mim será caixão e vela pro Miocic. Acontece que no wrestling a superioridade está no lado do americano.
Palpite: Não acredito que a luta vá para o chão pois acho que Miocic consegue defender as investidas do brasileiro. Porém, vejo Werdum usando seu repertório de chutes e clinch para ganhar a luta no maior volume de golpes e domínio do octógono. Enfim, vou de Werdum por decisão.

Vitor Belfort X Ronaldo Jacaré

Apesar de ser um faixa preta de Carlson Gracie, Befort se notabilizou por sua trocação técnica, explosiva e mortal. Enquanto ainda tem oxigênio suficiente para abastecer seus músculos, o Fenomeno é problema para qualquer lutador da categoria.
Jacaré é um dos maiores lutadores de jiu jitsu do MMA, ir para o chão com ele é quase sinônimo de ser finalizado. Na luta em pé, apesar de menos técnico que Belfort, ele também tem muita potência e poder de nocaute.
Palpite: Aqui para mim a questão passa pela estratégia e inteligência de Jacaré. Se ele vier bem fechado e não cometer erros nos primeiros minutos de luta, ele consegue derrubar e acredito que a superioridade dele no chão é suficiente para impor uma derrota a Belfort. Como Vitor sempre teve na defesa de quedas um de seus pontos fracos, meu palpite é vitória de Jacaré por finalização no segundo round.

Demian Maia x Matt Brown

Apesar de estar no card preliminar, faço questão de falar dessa luta incrível. Para mim, este é o duelo mais emblemático e equilibrado da noite.
De um lado teremos o maior representante do jiu jitsu puro no MMA atual. O brasileiro é tão fenomenal no chão que apesar de saberem o que precisa ser feito para vencê-lo, poucos adversários foram e são capazes de pará-lo. Para Demian só existe uma forma de vencer uma luta, levar para o chão e dar uma aula de jiu jitsu.
Matt Brown é um striker visceral. Dono de um grande repertório e volume de golpes, o americano anda para frente o tempo todo do combate. O “Imortal” é dono de um coração imenso e não se entrega mesmo nas piores situações.

Palpite: Aqui a grande questão é saber quem vai impor seu estilo de luta. Na teoria é simples, se for para o chão dá Maia, se a luta transcorrer em pé, Matt Brown leva o combate. Na prática é muito difícil apontar quem conseguirá sair com o braço levantado. Eu acredito que a vantagem no chão do brasileiro é maior do que a vantagem em pé do americano. Sem nenhuma convicção, creio que em algum momento dos 15 minutos de luta o brasileiro leva a luta pro chão e finaliza.

Dr. Frankenstein e a difícil arte de dizer não: uma ótica sobre a aposentadoria de Conor McGregor

Fala leitores do Espaço BJJ! Já estava com o texto da semana saindo do forno quando o imprevisível nos colocou uma bomba irlandesa no colo e me obrigou a muda-lo no último minuto. 
Para não ser injusto com o sólido resultado alcançado por Glover Teixeira no último evento, deixo no final um resumo do texto original que seria publicado hoje.

Em 1817, Mary Shelley escreveu o clássico da literatura mundial Frankenstein. Na obra, o doutor Victor Frankenstein cria um ser de características humanas em seu laboratório. Algum tempo depois a criatura passa a atormentar a vida do seu criador.

"Malditas (embora eu amaldiçoe a mim mesmo) as mãos que te criaram." Victor Frankenstein
Desculpem a referência piegas, mas este resumo pobre da obra de Shelley retrata exatamente a minha sensação ao me deparar com a notícia da saída de Conor McGregor precedida do anúncio de aposentadoria feita pelo mesmo.

Se você esteve recluso em um tempo budista nos últimos dois dias, explico: em um tweet ontem pela manhã o irlandês anunciou que estava se aposentando. Horas mais tarde, o presidente do UFC Dana White veio a público explicar que McGregor estava fora do UFC 200 pois se recusou a participar dos eventos promocionais (entrevistas, filmagens, viagens de divulgação...).

A reação causou espanto entre mídia e fãs. Afinal, como pode o maior vendedor da história do MMA se aposentar tão cedo? O piti do irlandês seria motivo suficiente para ser retirado do evento mais importante da história do UFC? Muitos não acreditaram na versão oficial e começaram a especular sobre as “reais” causas para os fatídicos acontecimentos. Doping, chantagem por uma bolsa astronômica, lesão e trauma pela recente morte de um lutador foram algumas das razões levantadas.
Pra mim o que fica claro nessa história toda é que houve um momento de ruptura na relação UFC – Conor. Não digo que ela seja definitiva, mas sem dúvida existe um desgaste de prejuízo astronômico para ambos os lados. Por isso mesmo, meu grande ponto de reflexão é que o doutor Dana “Frankenstein” White poderia ter evitado esse desfecho radical se tivesse dito antes um não para os (cada vez mais) megalomaníacos desejos de sua criatura.

O monstro

Entendo perfeitamente que por ser o lutador mais rentável da atualidade, o irlandês desfrutasse de certos privilégios. Contudo, também estava evidente que o ego do Notorius estava cada vez mais incontrolável. Apenas para ilustrar, vejam a sequência cronológica do que considero a escalada final para a ruptura atual:
1 – Exigêngia de lutar pelo cinturão da categoria de cima sem nem ao menos defender o da sua;
2 – Querer manter cinturões de diversas categorias ao mesmo tempo, coisa que o UFC nunca havia permitido;
3 – Exigência de uma revanche sem a menor lógica esportiva contra seu algoz Nate Diaz;
A minha grande reflexão aqui é que uma negativa a alguns desses episódios poderia ter feito Conor entender que apesar de ser a maior estrela da organização, ele ainda era um funcionário e precisava portanto respeitar também os interesses do UFC.
Sei perfeitamente como é difícil dizer não em alguns momentos. Entretanto, essa é uma arte que não só pode manter boas relações como pode evitar muitos prejuízos. Afinal, sem ter nenhum lutador em atividade com a capacidade de vendas do McGregor, prevejo uma perda de alguns milhões de doláres para o UFC no seu evento de número 200. Talvez a solução agora resida em Montréal e atenda pelas iniciais de GSP... Quem viver verá

Glover e Rashad: presente, passado e futuro

Com poucos minutos de luta, Rashad Evans estava dormindo em posição constrangedora. Andar de forma estabanada para trás contra um pegador mortal como Glover foi o pior erro que ele poderia ter cometido.
O brasileiro caminha a passos firmes para uma possível disputa de cinturão e se mantém na elite da categoria. Após duas derrotas seguidas, ele vive grande fase e mostra tremendo poder de recuperação.

Já o americano está em situação oposta. Após voltar de dois anos de inatividade, Rashad vem de duas derrotas e por ser um nome muito grande não tem a opção de pegar umas molezas para se recuperar. Só vejo dois caminhos possíveis para o ex-campeão, descer de categoria ou se aposentar.

Breve visão: UFC Fight Night 85

No último dia 19 de março aconteceu na Austrália o UFC Fight Nigh 85: Hunt vs Mir. Como geralmente acontece na terra do canguru, a despeito de um card modesto, o evento entregou lutas divertidas. Vamos a uma breve análise das duas lutas principais.


Hunt x Mir
Imagine comigo: você é um atleta de alto rendimento em um esporte onde os golpes traumáticos são a razão de ser. Você vai enfrentar um adversário cuja a única arma é a trocação e que carrega duas bigornas no lugar onde os outros seres humanos tem mãos. Você é um lutador de jiu jitsu extremamente refinado e sabe que se levar esse oponente pro solo, será caixão e vela. Como um lutador experiente, você sabe que vai depender de um jogo de isometria para derrubar o seu oponente e por isso você precisa estar em excelente condição física. Dito isso tudo, me diga o que você faria:

1 – treinaria quedas igual um louco, faria um baita preparação física para entrar na luta na melhor forma possível e ser capaz de levar a luta pro solo.

2 – Se apresentaria pra luta parecendo aquele tio aposentado que vive de mergulho na praia pela manhã e churrasco e cerveja de tarde, com direito a pagar peitinho através da camisa no dia da pesagem.

Pois é meus amigos, apenas o Frank Mir achou que a segunda opção seria inteligente. O americano entrou para a luta contra o mãos de bigornas na pior forma física de sua carreira. Isso já denunciava que ele não teria condições de fazer o que todo mundo sabia que ele deveria para ganhar a luta: derrubar e finalizar Mark Hunt. Resultado de tanta inteligência, a luta transcorreu o tempo todo em pé, e a soma do queixo duvidoso do Francisco Miranda e da martelada de Thor do Hunt decretou, ainda no primeiro round, a vitória por tentativa de desencarnação por parte do gordinho (opa, me refiro ao Hunt nessa aqui).

Se o Frank Mir quiser continuar a lutar sem se dedicar aos treinos só para engordar a conta bancária, o problema é só dele. Porém, fazer isso num esporte de lutas não é algo saudável.


Magny x Lombard
O que será que o Neil Magny toma no café da manhã? Conseguir sobreviver aquela tempestade no primeiro round é tarefa que poucos seres humanos no planeta são capazes de suportar, além disso, o Magnífico ainda suportou um knockdown no segundo round.

O preço de tanta resiliência? Ainda no final do primeiro round Magny começou a impor seu jogo sobre um já bastante cansado Lombard (bater cansa, ainda mais se você carrega mais carne que burro de tropeiro). Utilizando muito bem sua envergadura e frustrando o cubano, o americano pôs números finais ao combate no terceiro round após interrupção do árbitro.

Que fase do Magny! 11 lutas em dois anos com dez vitórias.... Fiquem de olho nesse garoto...

Depois da queda o coice. Conor McGregor é superado por Nate Diaz e sucumbe pela primeira vez no UFC


Em 22 de junho de 1941 a Alemanha nazista dá início à operação Barbarrossa, a invasão da União Soviética. Começava aí a derrota alemã na segunda grande guerra. Hitler tinha aberto muitas frentes de batalha e subestimou o poder de resistência do exército vermelho. Cercado de pessoas que ressaltavam o quão brilhante ele era e que não o confrontavam quando discordavam das suas atitudes, o líder nazista acreditou que era invencível e acabou derrotado pouco menos de 4 anos depois.

Dentro da psicologia, a megalomania é caracterizada por um senso inflado de auto-estima e superestimação de pessoas de seus poderes e crenças. Uma pessoa megalomaníaca ou com tendências megalomaníacas é obcecada em realizar feitos e atos grandiosos. Obviamente, quanto maior o salto, maior será a queda em caso de falha.

Após esses dois parágrafos introdutórios, creio que vocês já entenderam que falaremos do nome mais evidente do MMA mundial no momento, Conor McGregor. Dono de uma personalidade ímpar e polêmica, você pode amá-lo ou odiá-lo, mas é impossível ficar indiferente ao irlandês.

Independente do que você pense do personagem Conor McGregor, é necessário deixar essa emoção de lado ao analisar o lutador. Pode-se discutir que a sua trajetória até o cinturão foi encurtada pelo UFC, mas ele não é o atual campeão por obra do acaso ou um golpe de sorte.  Dono de uma movimentação excelente e pouco ortodoxa, golpes muito precisos e potentes, o Notorius é indiscutivelmente um dos melhores lutadores da categoria. Além disso, é preciso reconhecer que o irlandês definitivamente aceita correr riscos quando decide desafiar o campeão de uma categoria de cima.

Acontece que a linha entre a audácia e a megalomania muitas vezes é tênue. Ao perder a luta contra Nate Diaz, McGregor deve ter percebido por que existem categorias de peso no mundo das lutas. Pela primeira vez no UFC ele lutou com um adversário de maior envergadura, mais pesado, com bom poder de absorção de golpes, trocação e jiu jitsu de alto nível. Acostumado a enfrentar rivais maiores e fortes, o americano sobreviveu ao ímpeto inicial do europeu e aos poucos foi impondo seu jogo. Quando viu que seria nocauteado, um desesperado Conor se lançou de qualquer jeito nas pernas do pupilo de Cesar Gracie e virou presa fácil no chão.

Assim como aconteceu com Ronda Rousey, após a derrota o mundo caiu sobre as costas do irlandês. Pela forma como se promoveu e se comportou até aqui, essa reação era mais do que esperada. Entretanto, não acredito que essa derrota mudará a relevância e notoriedade do McGregor. Conor não alcançou o patamar atual apenas pelo seus méritos esportivos, mas também (ou seria principalmente) pela seu carisma e auto-promoção. Certamente ele ainda representará o maior gerador de receitas do UFC em 2016 e seguirá como uma das maiores estrelas do evento. O próprio Dana White já confirmou a presença dele no UFC 200.

A questão central na minha visão é como ele vai reagir a essa queda. Será ele capaz de reconhecer que é um dos campeões mais unidimensionais do UFC? Estará ele disposto a seguir uma trajetória mais conservadora e assumir riscos mais calculados?

Por mais carisma que tenha, para se manter relevante, um lutador precisa também de méritos esportivos sólidos. Até aqui os únicos grandes desafios de Conor haviam sido José Aldo e um Chad Mendes totalmente sem ritmo de luta. Se for capaz de entender que agora é que começam realmente os seus desafios mais difíceis, ele pode se manter relevante. Porém, se continuar confundindo auto-confiança com soberba, vai entender que além da queda vai vir o coice.



O show tem que continuar? Bisping segue plano tático perfeito e Anderson tropeça na própria sombra

No ótimo filme Birdman, Michael Keaton vive um ator que ao tentar se desvencilhar de um personagem, acaba tendo sua carreira estagnada e entra em um ostracismo. Esquecido pelo público e mídia, ele tenta resgatar sua carreira, mas o seu personagem acaba virando seu alter ego e se transformando em uma espécie de voz interior. Desvincular-se de uma imagem que criamos não é tarefa fácil. Se é díficil para uma pessoa desconhecida, imagine então para uma celebridade.

O que vimos no último dia 27 foi a tentativa de um lutador em manter sua imagem de genio, de fora de série. Para Anderson “apenas” vencer não parece ser uma opção. Durante sua carreira, o brasileiro se acostumou a proporcionar momentos mágicos e únicos. Apoiado em características físicas, mentais e técnicas bastante próprias, o aranha construiu a reputação de maior lutador de todos os tempos para muita gente. Entretanto, aos 40 anos, ele parece ainda não ter percebido que não é mais o mesmo lutador de cinco anos atrás.

Anderson sempre foi um contragolpeador rápido, preciso e com poder de nocaute. O jogo mental e as provocações visavam desestabilizar seus adversários e os fazer cair em sua teia (desculpem o trocadilho infame). Uma vez estando onde o brasileiro queria, seus oponentes sucumbiam as suas esquivas e golpes certeiros. Era uma fórmula muito eficiente, mas que dependia da combinação física e técnica peculiar do aranha.

Acontece que contra Michael Bisping nós testemunhamos a versão mais lenta já vista do Anderson Silva, resultado evidente da decadência física a qual todos nós estamos e estaremos sujeitos. Além disso, depois das derrotas para Weidman, o doping e a desastrosa defesa junto a comissão atlética, o brasileiro já não é mais tão temido assim. A consequencia disso é que atualmente é bem mais complexo para Anderson criar seus jogos mentais.

É claro que do outro lado estava um lutador completo, técnico e com uma estratégia muito bem montada. O inglês tem muitos méritos por ter vencido (e sim, ele venceu a luta), não é justo afirmar que Anderson “perdeu por que quis”. Mas ao fim da luta eu tive a certeza que um pouco de senso de urgência e foco em vencer, a luta teria um outro resultado.

Como explicar que ao voltar para o quarto round com um oponente ainda debilitado por um knockdown o brasileiro tenha escolhido passar os cinco minutos basicamente colado na grade se esquivando? Como entender que após um lindo chute frontal que quase levou Bisping a lona ele não tenha partido para a definição do combate?

Talvez uma das explicações se encontre no seu discurso pós luta. Se ele acreditou ter vencido o combate de forma tão convincente, significa que na visão dele o espetáculo é mais importante que a luta em si.

O aranha ainda tem lenha pra queimar e ainda tem totais condições de vencer qualquer um fora do top 5 da categoria. Entretanto é necessário ajustar o seu jogo em alguns aspectos. Vejam bem, não estou falando em mudar suas características, mas apenas mudar alguns pontos. Ter mais senso de urgência, agredir mais e ser mais conservador se defendendo são apenas alguns exemplos. A grande dúvida é se ele vai se conscientizar disso e mudar ou se ele vai decidir que o show ainda precisa continuar.