Bisping campeão ou sobre a vitória do cara normal

O MMA é um esporte fascinante entre outras coisas, por ter o poder de sitentizar a vida humana em alguns minutos. Dentro da arena já vimos inúmeras histórias de redenção, superação, respeito, coragem, entre outros espectros da humanidade.
O que testemunhamos no UFC 199 é um exemplo perfeito dessa minha visão. Fomos contemplados com a história de como nunca desistir de seus sonhos e de como um “homem comum” pode se superar e alcançar feitos extraordinários.
Quando se tornou realidade no maior evento de lutas do planeta, Michael Bisping foi considerado por um tempo (não tão longo assim) a esperança de ser o primeiro britânico campeão do UFC. Além de suportar a expectativa de toda uma nação, o Conde sempre disse que um dia seria campeão, sempre demonstrou que esse era seu grande sonho, quase uma obsessão.
Acontece que algum tempo depois de estar lutando entre os melhores lutadores, o inglês passou de promessa para desilusão. O que explica tamanha mudança? Na minha opinião, são dois os principais motivos. Apesar da sólida carreira, o inglês falhou em alguns momentos cruciais quando seria o desafiante ao cinturão. Este fato estigmatizou o lutador e fez muitas pessoas o desacreditarem e o classificarem como mediano.
Além dos reveses na carreira, a personalidade forte e (por vezes) arrogante do inglês também contribuiram para essa má vontade geral contra ele. Não foram poucas as vezes em que o vimos envolvido em discussões acaloradas ou mesmo agindo de forma antidesportiva.
Entretanto, em algum momento, enquanto a maioria das pessoas já teria desistido, Bisping parece ter entendido que precisava evoluir para realizar o seu sonho. Ele pareceu compreender que não estava no nível de excelência de alguns atletas da elite. Seu discurso sempre contundente passou a reconhecer mesmo a superioridade de alguns rivais, vide algumas de suas frases antes de enfrentar Anderson Silva. Esse reconhecimento de suas fraquezas parece ter sido a mola propulsora na sua trajetória até o cinturão.
Buscando também a evolução técnica, ele resolveu então sair de sua zona de conforto. Ao se mudar para os Estados Unidos, o Conde refinou a sua já excelente técnica de trocação. Passou a ter um boxe ainda mais perigoso e parece ter se tornado um lutador muito mais cerebral dentro do cage.
Entretanto, de tanto estarem acostumadas a desprezar Michael Bisping, as pessoas pareceram não terem se dado conta de que a versão 2016 do inglês era a sua melhor em toda a carreira. Mesmo após vencer o melhor peso médio de todos os tempos, todos consideravam impossível que ele conquistasse o cinturão. Mas havia uma pessoa que não só acreditava nisso, tinha a certeza. Essa pessoa era o próprio Bisping.
Ao assistirmos a vitória e conquista do cinturão dos médios pelo inglês, não vimos apenas uma conquista esportiva incrível. Fomos testemunhas da história de um homem que acreditava em si e nunca desistiu de seu sonho. Pudemos presenciar a incrível saga de um cara normal que conquistou um feito reservado aos gênios. Sobretudo, aprendemos que um homem comum desprezado pelo mundo mas que acredita em si é um vitorioso independente dos seus feitos.


"Escutem, tenho que ser humilde aqui: obrigado por todos por estarem aqui. Eu sempre fui lutador, sou um cara normal, e esse é meu sonho, ninguém nunca tiraria isso de mim! Eu aceitaria essa luta com duas semanas, dois dias, dois minutos de aviso!"

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